POR Walleria Suri

POR Walleria Suri

Meu nome é Walleria Suri, eu sou uma mulher transexual e deficiente visual. Fui convidada para ser colaboradora permanente das publicações da página oficial da [SSEX BBOX]. E sendo esse um espaço de resistência, conscientização e sobretudo de inclusão, tentarei contribuir da melhor forma possível para a promoção de reflexões que consigam despertar um senso crítico e libertário capaz de produzir transformações de pensamentos, que possibilitem o desenvolvimento de uma consciência coletiva esclarecida em cada um de nós.

FOTOS POR DANI VILLAR

★ ASSISTA AQUI O VIDEO CLIP DA 2ª CONFERÊNCIA INTERNACIONAL [SSEX BBOX] & MIX BRASIL ★
A 2ª Conferência Internacional [SSEX BBOX] & Mix Brasil transformou o Centro Cultural São Paulo em um espaço onde muitas pessoas se sentiram compreendidas em pontos importantes de sua luta, além de promover a reflexão sobre novas estratégias de enfrentamento à homofobia e à transfobia.

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▼Assista ao breve resumo em vídeo da Primeira Conferência

 

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Pensar em formas de efetivação das práticas de inclusão social requer, antes de mais nada, uma reflexão acerca daquilo que consentimos povoar nossos ambientes sociais concretos e também os imaginários.

Quando só permitimos contato e proximidade com apenas certas categorias humanas, estabelecemos as condições básicas para a proliferação da segregação e da exclusão sistematizada.

O entendimento de que aquilo que não reflete semelhança com minhas crenças, meus valores, meus costumes e com minha estética, não me traz benefícios ou sequer me desperta interesse, tem o efeito de reduzir as relações interpessoais das pessoas ao meio que simplesmente reforce sua visão de mundo.

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E considerando ainda que a visão de mundo de cada pessoa pouco reflete seus legítimos desejos e ideais, podemos afirmar que a exclusão social diária que cada um de nós espontaneamente pratica, é fruto de um modelo social opressor e ilusório. Que é imposto por meio da falsa ideia de que existe um modelo de comportamento, expressão e conduta corretos e autênticos, em detrimento a outros considerados ilegítimos e imorais.

Esse mecanismo de exclusão impositiva é reforçado, quase sempre, pelos veículos de comunicação de massa, pela forma que se aplicam a maioria dos métodos de educação escolar, em todos os seus níveis. Pela forma que se interpretam e ensinam dogmas religiosos. Pela forma como se estabelecem as relações de trabalho e as formas de aplicação e execução do direito legal vigente. E, principalmente, pela forma como se estabelece o gerenciamento e administração do poder público posto.

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Portanto, agir socialmente na direção de práticas efetivas de inclusão implica em uma reconfiguração das instituições e convenções sociais em exercício. A busca do bem estar social não pode ser exclusividade de determinado segmento ou classe da sociedade. O bem estar social precisa ser entendido como um ambiente social inclusivo, onde toda a diversidade de expressões humanas ganham voz, reconhecimento e direitos. Para isso, as instituições mídia, escola, igreja, trabalho, justiça e governo precisam atuar imbuídas da finalidade de promover a criação de um costume inclusivo que combata o já tão arraigado comportamento de exclusão, ao invés de reforça-lo como atualmente fazem escancaradamente.