POR NELSON NETO

POR NELSON NETO

Formado em jornalismo, já trabalhou como repórter para as revistas da Editora Mix Brasil e está assessor de comunicação na Coordenação de Políticas para LGBT (CPLGBT) da Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania (SMDHC) na Prefeitura de São Paulo.

 

★ ASSISTA AQUI O VIDEO CLIP DA 2ª CONFERÊNCIA INTERNACIONAL [SSEX BBOX] & MIX BRASIL ★

A 2ª Conferência Internacional [SSEX BBOX] & Mix Brasil transformou o Centro Cultural São Paulo em um espaço onde muitas pessoas se sentiram compreendidas em pontos importantes de sua luta, além de promover a reflexão sobre novas estratégias de enfrentamento à homofobia e à transfobia.

Assista nossa websérie no Vimeo

Inscreva-se em nosso canal no Youtube

▼Assista ao breve resumo em vídeo da Primeira Conferência

 

Não é difícil de ouvir tal frase. Justificamos nossos fracassos, dentro da comunidade LGBTQIA, por uma possível desunião das LGBTQIA, mas será que é isso mesmo?

 

Cá estou para falar mais uma vez sobre o sentido de comunidade para nós LGBTQIA. Antes, quero dizer que trago para você não verdades absolutas, mas algumas reflexões sobre alguns caminhos que estamos tomando e que merecem sim ser observados e retrabalhados.

O Brasil é um país enorme, isso é um fato. Minha crítica parte da minha bolha paulistana e que alcança, talvez, até o Rio de Janeiro. Mas, não podemos acreditar que todos os indivíduos lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais, transgêneros, queers, intersexuais e assexuais estão em um completo pé de guerra pelo protagonismo de suas pautas.

 

Sim, existe um determinado grupo de indivíduos que produz uma militância tóxica, não temos dúvidas. O problema não são estas pessoas existirem, mas sim a atenção que lhe é dada.

Nos últimos meses, por exemplo, vimos três grandes projetos acontecerem. Casa 1, Bee Ajuda e a própria Conferência Internacional [SSEX BBOX]. Os dois primeiros com resultados incríveis na arrecadação financeira para sua finalidade e o terceiro na capacidade de conectar pessoas que têm algo a dizer.

Em minha experiência dentro da gestão pública tive a oportunidade de ver em macro e micro o grande número de indivíduos da nossa comunidade preocupados na ação e promoção da nossa cidadania, direitos e cultura. Somos muitos.

Quando olhamos para países como Uruguai, México, Estados Unidos, Espanha, França e Turquia vemos diversos modos estruturados de indivíduos se articular e promoverem ações positivas à comunidade que pertencem e acabamos criando a ilusão de que, por aqui, ainda há muito o que ser feito. Realmente temos que lutar e muito. Mas o que não podemos é acabar fazendo com a crítica pela crítica – o tombamento pelo tombamento – acabem por esvaziar a ação e a própria capacidade de nos articular.

Ações com Casa 1 e Bee Ajuda merecem um profundo olhar. Sua concretude acontece em um momento político, social e econômico bastante crítico. A própria Conferência [SSEX BBOX] toma diferentes contextos quando acontece meses depois de um grotesco avanço da pauta conservadora no país.

Precisamos olhar para estes personagens e procurar tantos outros que estão em constante ação para nos fortalecer quanto comunidade. Aos poucos, acredito, iremos nos fortalecer de tal modo em que esta ideia de ‘desunião’ já não fará mais sentido.