SSEX BBOX

SSEX BBOX

[SSEX BBOX] é um projeto de justiça social, lançado em 2011, que procura dar visibilidade às questões de gênero e sexualidade em São Paulo, São Francisco, Berlim e Barcelona, cujo objetivo é fornecer instrumentos para a expansão da consciência, reduzir o isolamento, facilitar a educação, estimular a criação de comunidades e questionar antigos conhecimentos sobre a sexualidade e gênero, focado na temática / população LGBTQIA+.

Um dos projetos do [SSEX BBOX] é o DIVERSITY BBOX, uma iniciativa voltada para a inclusão social e a promoção da diversidade LGBTQIA+ e igualdade de gênero nas empresas e instituições, por meio de ações de educação e comunicação estrategicamente combinadas para possibilitar mudanças corporativas em prol de uma sociedade mais justa, democrática e igualitária.

DELLACROIX grita a perspectiva de um corpo pretx marginalizado desenvolvendo arte a partir da sua existência travesti. A artista, rapper e performer, trás em seu projeto a essência da musicalidade preta popular no brasil, permeando vertentes do hip hop até o funk brasileiro. Buscando resignificar a sua existência marginal dentro de uma causa política, a artista segue hackeando espaços, se conectando com suas iguais – travestis pretxs e periféricas – afim de registrar suas realidades historicamente apagadas, através da arte.

1)      Qual a importância de parar com o “fogo amigo” e nos juntarmos todes criando um senso maior de comunidade dentro do movimento LGBTQIA+ para fortalecer o movimento e para enfrentarmos essa onda de conservadorismo tão latente que está engolindo os processos hoje no nosso país?

Primeiramente, temos que acabar com conservadorismo dentro do nosso movimento. Com recortes, por exemplo, raça, classe… Temos que reconhecer o acesso a informação, os privilégios, que muitas vezes a gente fala tanto, fica só no discurso e esquece que o babado está na prática, no dia a dia.

Eu acredito muito num viés da educação, vindo da Pedagogia, é a informação. Temos que lembrar das quebradas, da galera LGBTTQI+ que está na favela sem saber o que é, sem saber o que fazer ou pra onde ir. Alguns contextos já estão dados pelo cis-tema, muitas vezes. Se o close é a união, o fortalecimento, a gente tem que entender que tem uma galera que não está no mesmo degrau da escada. E isso é primordial.

Já sabemos com o que estamos lutando contra? É realmente uma luta?

E ainda, se para informarmos, para educarmos, quem vai estar educando? De onde virá essas informações?

E todas as histórias que foram apagadas, silenciadas, simplesmente por serem corpos que não importam?

Mas, no geral, de fato, eu consigo enxergar um progresso, ou sei lá, só a galera com fogo nos olhos querendo fazer algo, sem saber exatamente o que fazer, mas se movimentando. Isso também é importante, querer aprender, querer entender, se movimentar, saber ouvir e saber o que falar… São processos que levamos uma vida para conseguir. Acho que a questão é essa, não há também um ideal do que fazer, essa movimentação, de certa forma até agressiva, já é um sinal, coisas estão acontecendo, em uma escala quase que inexistente? (risos)

Ficou insuportável pra eles fingirem que não existimos!

2)      Como a interseccionalidade se apresenta no seu trabalho?

Minha arte é basicamente o reflexo da minha realidade, da minha vivência. Por ser travesti, preta, favelada, algo ali já está dado. Fadada a prostituição, patologizada pela medicina, mais uma vez pautando nossos corpos como doentes, nos usando como ratas de laboratório pela academia. Meu trabalho, e para mim é muito estranho falar disso tudo, dessa minha movimentação como um trabalho. Chega a ser até problemático falar da prostituição da minha arte. A que ponto chegamos pra (sobre)vivermos?

3)      Como você canaliza a dor de não ser muitas vezes aceita na sociedade ou no seu trabalho?   

Uma das coisas que é colocado em cheque é a minha capacidade, meu talento, minha credibilidade. A todo momento eu vejo as pessoas fazendo julgamentos e questionamentos como se essa pessoa, aleatória, tivesse propriedade e domínio da minha vida, do meu corpo. Quando eu digo que NÃO! Ou melhor dizendo, quando eu imponho a minha palavra, já transformando a fragilidade do feminino do meu corpo com pau, em potência. E a partir daí é isso, entender essa raiva, controlar essa raiva? A gente quase sempre está em negação, é tanto blá blá blá que a gente acaba tomando isso pra gente, absorvendo essas energia e sei lá, desacreditando em nós mesmas. Temos que persistir, se juntar pelo menos entre nós do T, e se fortalecer, se apoiar…

4)      Como é ser travesti, preta e periférica e artista de RAP no Brasil? Você sobrevive da sua arte?

Acho que a dificuldade está aí por conta das construções do cis-tema, por conta do estigma que criou-se. Meio que estamos passando por esse período da questão sobre gênero estar sendo abordada em todos os meios de comunicação, o que é bem bafo, mas ao mesmo tempo abre brecha pra questionamentos pesados sobre como esse debate está sendo apropriado e se tornando algo raso e insignificante, quando não. E outra, eu sou só a minha identidade?

Viver no país que mais mata travestis e pessoas trans é matar um leão por dia, ter que ser melhor que muita gente, porém torna a conquista interessante, prazerosa.

Me orgulho de tudo que já aprendi, de tudo que já conquistei, mas não, eu não me sustento. Prostituir a minha arte é justamente para sobreviver!

MC Dellacroix participa dessa atividade na  3ª CONFERÊNCIA INTERNACIONAL [SSEX BBOX] & MIXBRASILÇ

18/11 – SALA DE ENSAIO 2
18H30 ÀS 21H
DURAÇÃO: 90’
ATIVIDADE | CINEDEBATE

CINEDEBATE: KBELA E A PEDAGOGIA DA TRAVESTILIDADE

ERIKA HILTON
ERICA MALUNGUINHO
MARIA CLARA ARAÚJO
MC DELLACROIX
NEON CUNHA

KBela é evidentemente um filme político. Podemos vê-lo, em um primeiro momento como um filme feminista e antiracista, o que de fato ele é.

 

LOCAL: CCSP (Centro Cultural de São Paulo)
DURAÇÃO: 15 a 26 de novembro de 2017
ENTRADA: Gratuita

PROGRAMAÇÃO COMPLETA: https://goo.gl/qAHz3g