SSEX BBOX

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[SSEX BBOX] é um projeto de justiça social, lançado em 2011, que procura dar visibilidade às questões de gênero e sexualidade em São Paulo, São Francisco, Berlim e Barcelona, cujo objetivo é fornecer instrumentos para a expansão da consciência, reduzir o isolamento, facilitar a educação, estimular a criação de comunidades e questionar antigos conhecimentos sobre a sexualidade e gênero, focado na temática / população LGBTQIA+.

#NÃOVOUCALAR: EM NOVO CLIPE, AÍLA ERGUE A VOZ CONTRA O ABUSO SEXUAL QUE VITIMA MULHERES NO TRANSPORTE PÚBLICO

Sétimo clipe da carreira da cantora foi gravado nas ruínas de uma antiga fábrica de cimento, na Zona Oeste de São Paulo, que já abrigou uma estação de trem “Não queríamos replicar cenas de abuso no vídeo, minha vontade sempre foi usar a dança como protagonista do clipe, uma dança que fosse como um grito”, comenta a artista. A performance é protagonizada pela dançarina Ciça de Cecília.

Um único corpo baila a revolta de infinitas mulheres em #NãoVouCalar, novo clipe da cantora e compositora Aíla. Dirigido por Gabi Jacob – que já assinou videoclipes de Emicida, Rael e Xênia França -, o filme tem como cenário uma antiga fábrica, localizada na zona oeste de São Paulo. Inaugurada nos anos 1920, foi a maior produtora de cimento da América Latina e responsável por fornecer matéria-prima para as construções dos primeiros arranha-céus da capital paulista. O local também foi palco de emblemáticas greves de operários, se tornando um espaço cujo histórico se confunde com a trajetória de lutas de classes no Brasil.

A faixa, composta por Aíla em parceria com Felipe de Paula e Mariana Lemos, integra o disco “Em Cada Verso Um Contra-Ataque”, segundo álbum da carreira da artista. No vídeo, disponível no YouTube, a dançarina Ciça de Cecília, integrante da Cia. Sansacroma, protagoniza uma performance vigorosa e solitária em meio às ruínas, corporificando um grito coletivo.

Na canção, Aíla denuncia o abuso que todos os dias vítima e assombra mulheres “na lotação, no esbarrão, na encoxada, arrocha pra ir e pra vir”. “A maioria de nós já sentiu na pele o medo, a repulsa, a agonia, de enfrentar o transporte coletivo na hora do rush. Mas não queria replicar cenas de violência no vídeo – quis usar a performance como grito, uma espécie de ‘dança de libertação’”, conta Aíla. “Decidimos gravar em um espaço abandonado, vazio. Um contraponto às lotações, ônibus e metrôs lotados em que todos os dias centenas de mulheres são abusadas. Filmar ali também simboliza o abandono e o descaso sistemático do Estado diante da situação, o mesmo Estado que que deveria nos proteger”, pontua.

A diretora, Gabi Jacob, enfatiza a importância do “artivismo” no contexto atual. “Sinto que em épocas sombrias, como essa que se anuncia, sentimos mais vontade de criar. Tem aquela famosa frase do Nietzsche: ‘A arte existe para que a realidade não nos destrua.’ A arte é importantíssima para escancarar situações de machismo, preconceito, seja na música, no grafite, na poesia. Esse levante tem dado muita coragem a pessoas que se sentiam antes com medo de se expressar ou de se manifestar”, diz.

Este é o sétimo videoclipe da carreira de Aíla – todos eles foram dirigidos ou co-dirigidos por mulheres e têm equipes majoritariamente femininas na parte técnica. Em #NãoVouCalar, por exemplo, Licia Arosteguy assina a direção de fotografia. “Eu amo trabalhar com mulheres. De modo geral, acho o olhar feminino muito sensível e inteligente. As mulheres são uma rede potente, em crescimento, e podem transformar muito mais. Esse é só o começo”, avisa Aíla.

A dançarina Ciça de Cecília lembra o clima especial dos bastidores durante as filmagens. “Eu ficava olhando em volta e pensando no que representa a potência de juntarmos tantas mulheres em uma equipe de gravação”, conta. “Dançar materializando tantas vozes foi gratificante, potente, necessário. Poder colocar a minha luta contra o assédio em cena com tantas manas (re)unidas em prol do mesmo grito e dançar junto me fez mais forte.”

O clipe #NãoVouCalar integra uma série de cinco vídeos – entre eles “Tijolo”, “Será” e “Lesbigay”, este último indicado a Melhor Videoclipe do Ano no Women’s Music Event Awards, o primeiro prêmio da música brasileira dedicado exclusivamente às mulheres. A série vai originar um pencard audiovisual com todos os clipes de Aíla + making of dos processos. O projeto tem o patrocínio da Vivo, via Lei de Incentivo à Cultura Semear, Fundação Cultural do Pará e Governo do Estado do Pará.

VIVO INCENTIVA CULTURA
A Vivo incentiva projetos que promovem a transformação social e a valorização da cultura brasileira em diferentes regiões do país. Entre 2016 e 2018, a empresa apoiou mais de 100 projetos por meio das leis de incentivo à cultura, que beneficiaram mais de 2 milhões de pessoas por meio da democratização do acesso e formação de novos talentos.

Música
#NÃOVOUCALAR

Peguei o metrô na Sé semana passada
Mana, lhe disse que não foi do nada
Que o otário me alisou
Me dê licença
Minha carne não está à venda
E meu corpo não é sua merenda
Me faça o favor!
Na lotação, no esbarrão, na encoxada
Arrocha pra ir e pra vir
Cansei de desculpa e conversa fajuta
Chega de fingir que não vi
Vê se te toca, toma jeito, abuso eu não aceito
Chispa, vaza daqui!
Não vou calar, eu vou gritar
Se insistir, eu vou berrar mais alto
Esculachar tua cara, arrochar tua tara
Seu dissimulado!
Não vou calar, eu vou gritar
Se insistir, eu vou berrar mais alto
Esculachar tua cara, arrochar tua tara
Na pista, no asfalto!

Composição: Aíla, Felipe de Paula, Mariana Lemos

AÍLA
Nascida na Terra Firme, bairro da periferia de Belém, Aíla é um dos principais nomes da nova música produzida no Pará e no Brasil. É cantora, é compositora, é inquieta. O segundo disco da artista, “Em Cada Verso Um Contra-Ataque”, lançado pelo edital Natura Musical, tem pegada “artivista” e discute temas urgentes, como feminismo, questões de gênero, assédio, intolerância e resistência. Neste trabalho, Aíla investe em uma sonoridade pop, dançante, que flerta com as distorções do rock e ao mesmo tempo com os beats eletrônicos, reflexo também da conexão entre a cidade de origem da cantora e São Paulo, onde reside hoje. O disco traz canções próprias e de parceiros, como Dona Onete, além de uma inédita de Chico César, e entrou nas principais listas de melhores do ano. O show da turnê é nervoso e já passou por palcos emblemáticos, como Circo Voador (RJ) e Coala Festival (SP).

GABI JACOB
Gabi Jacob, diretora desde 2011, tem seu trabalho mais focado na área musical. Já trabalhou com artistas como Emicida, Rael, Xênia França, Rodrigo Ogi, Slim Rimografia, entre outros. Ano passado teve dois de seus videoclipes concorrendo ao prêmio de melhor videoclipe no Festival de Brasília (“Mandume” do Emicida e “Breu” de Xênia França). Concorreu também ao prêmio de Melhor Diretora no WME (Women’s Music Event) da Vevo Brasil e foi mediadora da mesa “O futuro das narrativas musicais através do audiovisual” junto com Rincon Sapiência no Festival Path 2017.

FICHA TÉCNICA
Direção: Gabi Jacob
Produção: Damasco Filmes
Realização: 11:11 Arte, Cultura e Projetos
Assistente de produção: Angela Perini
Fotografia: Licia Arosteguy
1o Assistente de câmera: Cristiano Machado
2o Assistente de câmera: Caio Rodrigues
Dançarina: Ciça Coutinho
Direção de arte e figurino: Vitor Nunes
Make: Amanda Pris
Cabelo: Diva Green
Produtor de locação: Guilherme César
Edição: Gabi Jacob e Lucas Brasileiro
Color Grading: Samantha do Amaral (DOT)
Still e making of: Julia Rodrigues
Locução notícias e depoimentos: Patrícia Palumbo, Renata Simões, Ursula Vidal, Barbara Santos, Ana Carolina Marinho e Erik Reis
Segurança: Diogo Veloso (Hiram)