RÔ VICENTE

RÔ VICENTE

Ator, produtor, bailarino e artista circense, formado pelo Técnico em Artes Cênicas do Teatro Escola Macunaíma, fez diversos cursos e oficinas. Participou do Projeto Embaixadorxs 2018 da TODXS. Participou das Satyrianas 2013, 2016, 2017 e 2018 e da Semana de Artes Cênicas na UNESP 2015. Já trabalhou na produção de festas e eventos, como o Cordão da Mentira e também como produtor para a Cia. Pessoal do Faroeste e o Grupo Pandora de Teatro. É palestrante sobre sexualidade e identidade de gênero e artista-educador corporal e de dança. Atualmente integra o Coletivo Artístico Queer que dirige e produz o Canal no Youtube: Bixa na Rua, com performances, peças e informações para visibilidade LGBT. E é integrante do Grupo Pandora de Teatro desde 2018, fazendo a preparação corporal do elenco e atuando no espetáculo “COMUM”

Bixa: adjetivo (para alguns, pronome)

  1. Que designa um homem gay afeminado;
  2. O homem que se aproxima do universo feminino;
  3. Homem sem gênero;
  4. A Revolução.

Quando um homem gay se determina uma Bixa – sim, aqui Bixa é com letra maiúscula de muita Bixisse -, ele quebra alguns paradigmas de gênero. Se aproxima do feminino e, às vezes, se vê não-binário, com o gênero fluido. Assume seus trejeitos sem vergonha, se veste da forma que achar melhor, se trata com adjetivos femininos e masculinos e se determina uma BIXA.

Que ser Bixa é um ato revolucionário para a heteronormatividade e também para o meio LGBT, que ainda trata com muito preconceito os afeminados, todos nós sabemos. Também sabemos que são as Bixas as responsáveis pela maioria dos nossos direitos como LGBTs, pois elas são as primeiras a darem a cara a tapa e a receberem lâmpadada nas ruas.

O que a maioria não sabe é que ser Bixa é muito solitário.

É muito solitário se reafirmar todos os dias, ser tratado como um pedaço de carne, não ser amado, ter que buscar amor próprio em lugares impossíveis. O fato de me vestir como me visto e me portar como me porto já faz com que as pessoas criem uma expectativa de como sou. Homens nos julgam como uma vadia do sexo, um corpo feito apenas para gozar. Isso se dá porque somos os corpos masculinos mais próximos do universo feminino e, como todo o corpo de uma mulher serve apenas para sexo para os homens, com as Bixas não seria diferente.

Não seremos assumidos como namorados, não seremos apresentados no jantar de família, não poderemos construir uma família. As minhas unhas pintadas e o meu batom vermelho me impedem de realizar sonhos e de formar uma família que por muito tempo eu quis ter. Sabemos que a vergonha de nos ter ao lado sempre acompanhará homens que se interessam apenas pelos nossos corpos afeminados e trejeitos (que, para muitos, é algo sexy a ser explorado na cama). Tais exemplos como Pabllo Vittar, Linn Da Quebrada e Kaya Conki mostram que corpos de Bixas Afeminadas só chamam atenção unicamente para o sexo.

É só para isso que as Bixas Afeminadas servem: sexo.

Hoje decretamos a extinção do macho em nossos corpos, dentro de nós. E assumimos as Bixas que somos. Por mais solitário, difícil e perigoso que seja, nós nascemos e morreremos Bixas. Quebraremos o patriarcado que nos impõe a masculinidade, destruiremos a heteronormatividade que LGBTs nos fazem engolir. Ser Bixa é a nova Revolução.

Prefiro morrer por ser quem sou ao viver uma grande mentira.