Carol Queen, PhD

Carol Queen, PhD

Carol Queen tem um doutorado em sexologia; ela se denomina como uma ‘sexóloga cultural’ porque a sua formação acadêmica prévia é em sociologia. Embora ela trate de questões individuais e problemas sexuais de casais, o seu interesse mais abrangente está nas questões culturais (gênero, vergonha, acesso a educação etc.). Queen trabalhou na Good Vibrations, uma companhia fundada por mulheres que fez 35 anos em 2012, ativa desde 1990 e com sede em San Francisco. Atualmente, ela é sexóloga e historiadora na Good Vibrations. Ademais de ser representante da companhia para a imprensa, ela supervisiona a programação educativa para a equipe e outros, e é roteirista e apresentadora de uma série de vídeos de educação sexual, a série Pleasure-Ed (Prazer-Edu), para a companhia parceira Good Releasing. Ela também é curadora do Antique Vibrator Museum (Museu do Vibrador Antigo) da Good Vibrations. Queen é a diretora fundadora do Center for Sex & Culture (Centro para Sexo & Cultura), um centro sem fins lucrativos de educação sexual e arte em San Francisco e é uma frequente palestrante em faculdades, universidades e organizações comunitárias. Autora de vários livros, a sua bibliografia inclui o vencedor do prêmio Lambda Literary, PoMoSexuals, e Real Live Nude Girl: Chronicles of Sex-Positive Culture, textos utilizados em faculdades. Ela é blogueira para a revista Good Vibes Magazine e na página de blogueirxs SFGates’s City Brights, assim como contribuidora no Boston Dig. Para saber mais, confira no carolqueen.com.

Faz mais de 25 anos que uso o termo “sex positive” – ouvi o termo pela primeira vez quando me mudei para San Francisco nos anos 80 para obter o meu doutorado no Institute for Advanced Study of Human Sexuality (Instituto para Estudos Avançados em Sexualidade Humana). Imediatamente, tornou-se parte do meu vocabulário; eu fazia ativismo LGBTQ desde meados dos anos 70, o que incluía falar sobre homofobia, e o jeito como ‘‘sexo-positivo’ esclarece e ajuda a lidar com uma erotofobia mais ampla ficou imediatamente claro para mim quando ouvi o termo. Eu nunca teria acreditado então o quanto essa expressão se tornaria comum. Mas eu comecei a sentir que ela chega a ser mal-entendida em certos círculos. Este é o tipo de positividade sexual que eu aprendi-e quando uso o termo, é isso que quero dizer: 09510027

Positividade sexual é:

  • Uma maneira de reconhecer que a sexualidade humana é diversa e ampla. Não há definição do que é ‘normal’.
  • Sem julgamento, ou pelo menos espera de nós que nos conscientizemos (e controlemos) os nossos próprios julgamentos.
  • Um inimigo do ato de envergonhar os outros por causa de questões sexuais e de gênero, inclusive as crianças.
  • Uma maneira de reconhecer que deveríamos ter certos direitos sexuais, inclusive o direito a uma educação sexual abrangente, apropriada, prazer-inclusiva e positiva.
  • Um conceito que nos convida a reconhecer que praticamente todo comportamento plenamente consensual pode ser bom para alguém, e que praticamente nenhum comportamento é bom pra todos.
  • Uma ideia que não pode ser completamente expressa fora de uma atmosfera/contexto de consentimento. Consentimento informado, não-coercivo. CONSENTIMENTO.
  • Um termo que pode incluir a todos, inclusive virgens, asexuais, pessoas que foram abusadas, pessoas que nunca tiveram uma experiência prazerosa ou até boa com o sexo-pois não descreve o sexo que fazem/não fazem, senão que descreve a sua atitude a respeito da diversidade sexual e dos direitos sexuais das pessoas. (E claro que pode ser uma ferramenta para se abrir para sexo muito mais positivo-mas apenas se isso é o que desejam).
  • Mais do que nada, uma maneira de criticar a nossa cultura atual-que claramente não é sexo-positiva. Esta é a minha crítica: o que tornaria a nossa cultura plenamente sexo-positiva? Que elementos nos permitiria atingir essa meta? (eu xs convido a pensar nesta pergunta-é uma lente valiosa num contexto pessoal e no trabalho ativista).
  • Uma noção que nos faz ter verdadeiro respeito pela sexualidade dxs outrxs.

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O que positividade sexual NÃO É:

  • Uma expressão que quer dizer “Amo o sexo!” (bem que se isso for o caso, ótimo! Viva você!)
  • Uma expressão que quer dizer “sou depravada ou experimental; não sou um Vanila (careta). (Caretas podem ser tão sexo-positivxs como kinksters e na verdade, nem todx kinkster são sexo-positivx!)
  • Uma expressão que NUNCA pode ser usada desta maneira: “se você fosse de fato sexo-positivo, você faria sexo comigo/faria aquela coisa depravada que queria provar/abriria o nosso relacionamento etc.”
  • Ser usado como uma fonte de julgamento ou para envergonhar outras pessoas-inclusive heterosexuais, asexuais, pessoas kink, pessoas no celibato ou qualquer outrx.
  • Uma maneira de julgar outros por não gostarem o bastante de sexo.
  • Uma nova norma que estabelece como as pessoas deveriam viver o sexo.
  • Uma licença para supor que a tua resposta sexual, a tua experiência, desejos e sentimentos são ou deveriam ser compartilhados por todxs.

Não deixo de repetir isso. Qualquer pessoa, não importa o quão travessa e feliz que seja, que tente usar a noção da positividade sexual para julgar a orientação sexual, expressão de gênero, escolhas sexuais ou resposta sexual de outra pessoa, não está se comportando de uma maneira sexo-positiva. Ponto final. (Além do mais estão usando o termo de modo incorreto). Quando você é sexo-positivx, você simplesmente compreende que não é como xs outrxs, e está muito bem assim. Por exemplo:

  • Sinto atração por pessoas que são assim, e outras pessoas podem sentir atração por pessoas que são assado.
  • Tenho orgamos assim, e outras pessoas têm orgasmos assado.
  • Gosto deste brinquedo sexual e outras pessoas podem não gostar (e vice versa).
  • Gosto deste tipo de sexo, então, outras pessoas podem gostar de outro tipo de sexo.
  • Quero um certo tipo de relacionamentos, e outrxs querem tipos de relacionamento que funcionam para elxs.
  • Reajo desta maneira a esta coisa sexual, mas outras pessoas podem reagir de outra maneira.
  • Cresci com crenças, experiências, num contexto cultural particular que afeta os meus sentimentos sexuais neste momento; outras pessoas cresceram dentro de outros contextos culturais.

…E assim por diante! Será que “sexo-positivo” tem algo a ver com “Nem tudo tem a ver comigo”? Com certeza! A propósito, a Good Vibrations tem a sua própria interpretação; leia abaixo um trecho da seção sobre positividade sexual no site da Good Vibrations no link goodvibes.com:

Na Good Vibrations, acreditamos que o prazer sexual é um direito de todxs. Acreditamos que o prazer sexual é uma parte importante da vida de nós todxs, e que todxs deveriam poder viver a vida sexual que é a certa para elxs. É a nossa missão reagir a todas as formas de vergonha sexual assim como apoiar as pessoas no caminho da descoberta das suas verdadeiras identidades sexuais. Acreditamos que toda atividade de sexo consensual adulto é algo para se afirmar e celebrar. Não julgamos as preferências ou escolhas sexuais de ninguém desde que essas escolhas e atividades sejam entre adultos e consentidas por todxs xs envolvidxs e afetadxs. A Educação continuada é essencial para a nossa missão. Para podermos ser a melhor fonte de informação para os nossos clientes, nos esforçamos continuamente em ter uma melhor compreensão da variedade sexual e para melhorar o nosso conhecimento sobre prazer sexual e desejo. Para oferecer um ambiente solidário com as necessidades dos nossos clientes, entendemos que xs nossxs educadores sexuais associados devem sempre manter uma atitude aberta e respeitosa e apresentar uma comunicação sexo-positiva e sem julgamentos.

Marchem, pois, e sejam tão sexo-positivxs quanto desejarem! E por favor, desmascarem o uso incorreto desse termo por outras pessoas. Existem demasiadas pessoas sexuais não são o bastante sexo-positivas. Trata-se de uma ferramenta extraordinária de análise e ativismo e é essencial que a utilizemos apropriadamente-não a estraguemos com a ideia de que só alguns/algumas poucxs escolhidxs são sexo-positivxs baseado em o seu comportamento ou orientação. ssexbbox_carolqueen

 

▼ INCLUSÃO RADICAL LGBTQIA+▼
ESTE É O COMPROMISSO DA 1ª CONFERÊNCIA INTERNACIONAL [SSEX BBOX] & MIX BRASIL

Escolhemos o conceito Inclusão Radical LGBTQIA+ por apostarmos na potência coletiva de construção da igualdade de direitos na via da diferença. O direito à autodeterminação é inegociável.
Diferimos da inclusão em sentido homogeneizante, em favor de uma proposta que comporte singularidades. A identidade, a maneira como nos reconhecemos e desejamos ser reconhecidxs, deve ser respeitada antes de qualquer definição conceitual.
Isso significa estarmos abertxs à heterogeneidade dos modos de ser, permitindo a compreensão de Direitos Humanos em que as normas de sexualidade e gênero sejam um aspecto empoderador e não de mais opressão.

É necessário perceber e validar cada identidade dentro do movimento LGBTQIA+, sabendo que a diversidade sexual tem uma demanda comum, de ser aceita e validada, mas que cada segmento é muito específico e tem algumas necessidades e demandas muito particulares. As políticas públicas que as atendam, sejam de lésbicas, gays, bissexuais, transexuais, travestis, transgêneros, queer (não binarios), intersexos, assexuais (ou qualquer outra identidade que possa ser reivindicada), devem levar em conta suas diferenças. E por isso se justifica a diferenciação entre todas essas letras na sigla que representa a comunidade sexo diversa. Elas garantem a possibilidade de mobilização política e o reconhecimento de lutas específicas.
Todxs são encorajadxs a pedir uns aos outrxs para criar uma linguagem, comportamentos e filosofias inclusivos.
Nosso empenho é para que a conferência seja acessível a todxs. Para quem não possa participar pessoalmente, desejamos produzir um material online de circulação gratuita.