Pri Bertucci - [SSEX BBOX]

Pri Bertucci - [SSEX BBOX]

Artista social, educador e pesquisador da área de diversidade a pelo menos duas décadas. Identifica-se como pessoa parda / não branca, transgênero/não binário/gender queer. É CEO da [DIVERSITY BBOX] consultoria; fundador do Instituto [SSEX BBOX], projeto pioneiro no tema de justiça social; cocriador da linguagem neutra e do pronome de gênero neutro na língua portuguesa ILE/DILE e produtor executivo da Marcha do Orgulho Trans de São Paulo.

O Instituo [SSEX BBOX] desenvolve uma série de projetos e advocacy que visam destacar a diversidade, inclusão e a equidade sobre os temas de gênero, sexualidade, população LGBTQIAP+, raça, etnia e pessoas com deficiência. Dando visibilidade a esses debates em várias partes do mundo. O Instituo [SSEX BBOX] teve início em 2011 a partir de uma série de webdocumentários educacionais que exploram temas da sexualidade e gênero para promover mudanças sociais com base nos direitos humanos.

O Instituto é responsável pela Marcha do Orgulho Trans, primeira #TransPride do brasil e maior evento da comunidade trans da América Latina. O Instituto [SSEX BBOX] é especializado em comunicação inclusiva, linguagem neutra e não sexista, está comemorando dez anos em 2021. Nesta primeira década de atuação, desenvolveu pioneirismos na cultura LGBTQIA+ junto a comunidades de várias partes do mundo. O Instituto [SSEX BBOX] trouxe para o Brasil, em 2013, a sigla expandida LGBTQIA+, com base no trabalho e pesquisa internacional. No Brasil, QIA+ não era usado até então. Foi aí que a sigla estendida começou a ser utilizada pela população. O Instituto [SSEX BBOX] criou uma ampla campanha de divulgação nacional da nova sigla, que, desde então, é a mais comumente usada.

 

★ ASSISTA AQUI O VIDEO CLIP DA 2ª CONFERÊNCIA INTERNACIONAL [SSEX BBOX] & MIX BRASIL ★

A 2ª Conferência Internacional [SSEX BBOX] & Mix Brasil transformou o Centro Cultural São Paulo em um espaço onde muitas pessoas se sentiram compreendidas em pontos importantes da luta LGBTQIA+ , além de promover a reflexão sobre novas estratégias de enfrentamento à homofobia e à transfobia.

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▼Assista ao breve resumo em vídeo da Primeira Conferência

 

crédito da pesquisa

crédito da pesquisa

A linguagem neutra de gênero em português e o pronome de gênero neutro ILE foi criado por Pri Bertucci e Andrea Zanella em 2014.  Em 2015, a tentativa de inclusão do gênero não binário na língua portuguesa ganhou o MANIFESTO ILE, PARA UMA COMUNICAÇÃO RADICALMENTE INCLUSIVA.

Muito tem se discutido sobre a necessidade de um pronome em português que não tenha gênero.
Ou melhor, que seja sem gênero, pra não ter que separar as pessoas por essa classificação.
Nossa língua não previu a mudança de paradigma que está acontecendo no nosso tempo.
Nossa língua não é flexível o suficiente pra designar alguém que não se sente nem homem, nem mulher.
Ou melhor, pra designar alguém que se sente ora um, ora outra.
Ou melhor, pra designar quem não se conforma com as normas de gênero.
Ou melhor, pra falar de quem vive seu gênero de uma forma que é fora da caixa.

ile-dile

A discussão de gênero e de sexualidade causa muito desconforto em vários círculos.
Há quem não se sinta representade (a) (o) pelas formas normalizantes de expressão: ele ou ela (como se só houvesse 2 possibilidades).
Há quem fique desconfortável por perceber que tem gente querendo ser algo que não estava previsto na ‘norma’.
Essa divisão em dois, esse binarismo, deixa de fora uma enorme variedade de possibilidades, que não são nem uma coisa, nem outra.
E quem está nesse grupo, do nem uma coisa nem outra, continua sendo gente, continua tendo direito de ser como é.
Essa nova palavra, esse novo pronome de gênero ‘ile’, é uma tentativa de questionar a ‘norma’, a cis-heteronormatividade, aquele conceito que diz que ‘o certo é homem, macho e masculino e mulher, fêmea e feminina’.
Pode parecer estranho, já que o resto das palavras na língua portuguesa são femininas ou masculinas.
Fazer a concordância com ile pode ser difícil.
Ile é diretore*, diretor, ou  diretora?
Ile é amigue*, amigo ou amiga?
Ile é aliade*, aliado ou aliada?

Cabe a cada ile nos dizer como se sente, como se reconhece.
Não importa como você escolheu apresentar seu eu não-binário, você é válido.
O próprio estranhamento que esta palavra causa nos ouvidos das pessoas já é parte da mudança.
Nos força a ter que lidar, lembrar e reconhecer que nossos padrões não são estáticos.
Que a vida não é estática, assim como nossa língua, que aceita os neologismos para poder retratar novas realidades.

Ile é um convite. Convida a diferença a coabitar. Convida nossa consciência a se expandir. Convida a suspender o pré-conceito.  Aceita o convite?

*Usamos o ‘e’ , e não ‘x’ ou ‘@’  por conta do leitor de palavras para deficientes visuais. Usamos o ‘e’ como tentativa de inclusão do gênero não-binário na língua portuguesa e como alternativa para a usual generalização no masculino.

broche-ile-dile
Boton criado em 2015 pelo [SSEX BBOX]

Ile

É uma realidade concreta
que deve ser reconhecida
verbalizar também é uma forma de existir
damos nome ao “novo” para que
ile tenha um lugar legítimo em nossa realidade

ile carrega a ultrapassagem do binário
não é só neutro, é político
não é fechado, é expansiiiivo
ile vibra o som sutil que equilbra
nem A nem O nem U, um som forte fluido
ile traz uma estranheza
que questiona os conceitos definidos
que muitas vezes não definem

muitos encontraram formas de escrever
é ainda difícil falar!
(e o ile agora vai solucionar)

ile abre um caminho vocal
pra que o pensamento compreenda mais nuances
para que a inclusão não seja só nos bastidores
para que o discurso possa ser ouvido por todes
para que a realidade se transforme
e que ela se remolde pra abarcar
todas as possibilidades do humano

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ENTENDA O GÊNERO NÃO BINÁRIO

Pri Bertucci, co-criador da linguagem inclusiva no Brasil e um dos poucos CEOs trans no país, fala sobre seu ativismo pela comunidade não binária e resistência da sociedade para usar pronomes neutros e reflete: “o que não tem nome não existe”